3 de julho de 2009

PORTUGUESES E GALEGOS NO CINESUL

Desde 2006 acompanhamos as produções portuguesas e no ano passado fizemos a mostra paralela Visões de Portugal, que nos surpreendeu nos dando vontade de saber mais sobre a indústria audiovisual portuguesa e seus cineastas.
Neste cenário há também espaço para os que adotaram o país.Um deles é Neni Glock. Um brasileiro radicado em Lisboa que nos conta um pouco de como é fazer cinema em Portugal.
"Vivo em Lisboa há 19 anos, vim de Curitiba onde trabalhei basicamente com televisão e produtoras de documentários e publicidade. Por aqui realizei (direção) uns programas para a TV, também como camera e direção de fotografia, alguns videos clips e institucionais.

Como documentarista sou um pouco à Glauber Rocha, uma idéia na cabeça e uma camera na mão. Todas as minhas produções são independentes e consequentemente limitadas. Sou péssimo para preencher formulários atrás de subsidios e outras ajudas financeiras.

Atualmente estou produzindo documentários para uma ONG com projetos em todos os países de lingua portuguesa. Acabo de finalizar dois deles realizados em Angola.

Em Portugal o interesse pelo genero documental tem aumentado de ano prá ano, prova disto é o sucesso de público no Doc Lisboa que cresce de ano prá ano, assim como o Indy Lisboa e alguns outros festivais que merecem destaque.

Hoje em dia como sabe, esta linguagem tornou-se acessível a quase toda a gente, e isto é bom, pois muitos talentos que de outra forma permaneceriam no anonimato, tem a possibilidade de mostrar seu trabalho e, há muita gente boa por aqui a produzir coisas de interesse.


Neni dedica-se também a fotografia, quando puderem acesem o seu blog : www.neniglock.blogspot.com


Nesta edição do Cinesul, recebemos novamente uma produção sobre música chamada "Ritmos da Cidade" de Luis Margalhau, que no ano passado nos mandou um interessante documentário sobre o uso da música no tratamento de pessoas que têm sequelas da paralisia cerebral, chamada "Os Sons também Falam". Seu mais recente trabalho, "Ritmos da Cidade" nos traz a música quebrando barreiras e integrando pessoas.

A outra revelação foi Diana Gonçalves. Ela nos trouxe Mulleres da Raia, que conta a história de luta pela sobrevivência das mulheres que vivem na fronteira entre Portugal e Galícia.

Esta jovem diretora costuma dizer: "Pois bem...Ser documentalista não é só uma profissão é uma forma de vida." Em seu blog tem o trailler do seu documentário, que já percorreu alguns festivais europeus importantes e que o Cinesul teve a grata satisfação de exibir. Vale a pena conferir.


Esperamos que a cada edição do Cinesul estreitemos mais esteintercâmbio.



30 de junho de 2009

VENEZUELA, MÉXICO E ESPANHA SÃO OS VENCEDORES DO CINESUL 2009

dDia 28 de junho no Centro Cultural Correios terminou a 16ª edição do Cinesul - Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo.

Foram 74 filmes em competição entre curtas e longas-metragens e 150 distribuídos em 10 mostras paralelas. Algumas delas como Cinesul Animado, Brasil Real, Cinesul Ambiental e Foco Espanha também estiveram em espaços alternativos de exibição.

Curiosamente, tanto o longa- documentário quanto o curta vencedores trouxeram histórias muito pessoais de suas realizadoras, que impressionaram os jurados.

Agadecemos aos diretores pela participação e principalmente ao público!

A seguir, os premiados:



Júri oficial

Melhor Ficção

POSTALES DE LENINGRADO –Dir.: MARIANA RONDÓN

Menção honrosa:

AOS HESPANHOIS CONPHINANTES – Dir.: ANGELLO SGANZERLA

Melhor Documentário

INTIMIDADES DE SHAKESPEARE E VICTOR HUGO – Dir.: YULENE OLAIZOLA

Menção honrosa:

DUAS ALDEIAS, UMA CAMINHADA – Dir.: ARIEL ORTEGA, GERMANO BEÑITES e JORGE MORINICO

Videosul (curtas e médias-metragens)

Melhor documentário

LA MADRE QUE LOS PARIÓ – Dir.: Inma Jiménez Neira

Melhor ficção

ROMA – Dir.: Elisa Miller

Menção honrosa

CUNARO – Dir.: Alexandra Henao

Júri Popular

Melhor Longa Documentário

CIDADÃO BOILESEN – Dir.: CHAIM LITEWSKI

Melhor Longa Ficção

SIMPLES MORTAIS – Dir.: MAURO GIUNTINI

VideoSul

Ficção

DELITO – Dir.: Luiza Trigo

Documentário

LA MADRE QUE LOS PARIÓ – Dir.: Inma Jiménez Neira

26 de junho de 2009

O PRIMEIRO LONGA NUNCA SE ESQUECE. AINDA MAIS SE PREMIADO ...

Mauro Giuntini, um simpático diretor brasiliense veio ao Rio para exibir seu filme “Simples Mortais”.
Começou como a maioria dos diretores realizando curtas-metragens. Na década de 90, Mauro produziu e realizou filmes experimentais, filmou comerciais e documentários para TV. Dentre os curtas premiados estão: “O perfumado” (2002) e “O jardineiro do tempo” (2001) e “Por longos dias” (1998), que aborda a questão dos sem-terra.
“Simples mortais” (2007) é sua estréia em longa-metragem e as terras cariocas lhe trouxeram sorte, pois ganhou o Prêmio de melhor longa de ficção na categoria Júri Popular.

ÂNGELO SGANZERLA É UM DOS DESTAQUES DA COMPETITIVA DO CINESUL

Irmão mais novo do cineasta Rogério Sganzerla, Ângelo trouxe para o Cinesul sua mais recente produção: “Aos Hespanhóis Conphinantes”. Dirigido e roteirizado por ele, o filme é baseado na obra de Othon D´Eça e conta um pouco da história de Santa Catarina. Uma expedição feita pelo então governador catarinense, Gustavo Konder, em 1929 para resolver problemas na fronteira com a Argentina.
Este projeto chegou nas suas mãos após um longo recesso sem filmar. Segundo ele, não queria mais saber de cinema!
O longa é preto e branco e filmado quase todo num estúdio. Além disso, traz uma estética dos filmes mudos com algumas cenas aceleradas dando mais fidelidade a esta história que aconteceu na década de 20. Ângelo faz uma ponto no filme e também filmou as fotos originais desta expedição, segundo ele deu trabalho convencer a herdeira deste álbum de retratos emprestar o material para as filmagens. Durante esta aventura western, percebemos que os atores são muito parecidos com os verdadeiros personagens desta façanha.
Numa conversa informal no escritório da Pulsar, Ângelo revela que o cinema é realmente um vício e não se larga facilmente e que o grande responsável por isso foi seu irmão Rogério. “Meu pai dizia que não queria me ver acompanhando meu irmão nas filmagens. Eu respondia que realmente não estava metido com o cinema. Mentira, é claro! Numa das viagens do Rogério, minha mala já estava no carro.” – nos disse.
Nesta edição do Cinesul “Aos Hespanhóis Conphinantes” ganhou uma Menção Especial do Júri Oficial.

24 de junho de 2009

O CINESUL NA BAIXADA FLUMINENSE E NO INTERIOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

O Cinesul está conquistando novos “territórios”, assim como naquele jogo War, lembram? E nesta conquista, não poderíamos deixar de agradecer aos nossos animadíssimos animadores brasileiros, que tanto produzem, e aos documentaristas que participam da Mostra Brasil Real!

Fincamos a nossa bandeirinha no Centro Cultural Jornalista Tim Lopes, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. De acordo com Cristiane Moresi, produtora cultural que trabalha neste espaço, as sessões do Cinesul Animado estão sendo um sucesso! As animações foram exibidas na sexta e sábado, dias 19 e 20 de junho, com repetição nos dias 27 e 28.
Para avançarmos rumo ao interior, tivemos a ajuda da equipe do Ponto Cine, que nos levou até Rio Bonito, Magé, Aperibé, Carmo, Rio das Flores, Cachoeira de Macacu e Sumidouro. Este último pólo de exibição, pasmem, foi uma antiga senzala!
As mostras escolhidas para estes locais foram: o Cinesul Animado e os Programas 2 e 3 da mostra Brasil Real. Os documentários que estão sendo exibidos são: O Areal, Pedra Polida, Tarabatara, Movimento, Muito Além da Esquina e Vida de Balcão.

Nesta edição apenas 2 mostras paralelas foram levadas, um total de 22 filmes. Para o ano que vem, esperamos dobrar o número de filmes exibidos.
No próximo post... Ângelo Sganzerla. Este sobrenome lhes é familiar, não?

20 de junho de 2009

UM ARGENTINO QUE ADOTOU O BRASIL

Este ano o Cinesul homenagea Carlos Hugo Christensen, diretor argentino que morou no Brasil em torno de 40 anos.
Além do Brasil, ele percorreu também vários países da América Latina realizando co-produções, muito antes de falarmos em Mercosul.
Christensen começou sua carreira em 1939 como assistente de direção de Fernando Mujica e no início da década de 40 a sua carreira tomou grande impulso, pois o cinema argentino era um dos mais importantes da América Latina, além do país ter um teatro e literatura efervescentes.
Nesta edição, o Cinesul trouxe para seu público parte da sua filmografia produzida na Argentina, pouco conhecida por aqui, que está sendo exibida na Cinemateca do MaM e as produções brasileiras, exibidas no CCBB.

Seu primeiro filme no Brasil foi Mãos Sangrentas com Arturo de Córdoba e Tônia Carrero. Em 1956 montou com Cavalheiro Lima a empresa cinematográfica EMECE.
Além de histórias dramáticas, Christensen filmou no interior do Mato Grosso "Caingangue, a pontaria do diabo, um western brasileiro produzido por Roberto Farias.
Seu último filme foi "Casa de Açúcar", baseado no conto "A fúria" da escritora argentina Silvina Ocampo. Foi a primeira fita brasileira-argentina concebida nos marcos dos vínculos do Mercosul. Falado em espanhol e português e todo rodado no Rio de Janeiro em seis semanas. O elenco conta com a participação de Gracindo Jr., Du Moscovis e a estréia de Marcelo Anthony no cinema.

7 de junho de 2009

Amigos do Cinesul

No próximo mês daremos início a mais uma edição do festival.

Apesar da crise, falta de grana, arrancando os cabelos para mantermos a qualidade do evento com um orçamento tão reduzido, ficamos muito orgulhosos de ver quase 700 inscrições.

Confesso que às vezes me dava uma vontade louca de sair correndo em ver tanto DVD chegar na minha mesa, pois sou eu, a Claudia Durán, quem cadastra todos vocês e tenta, na medida do possível, atualizar este blog.

Além do grande número de inscrições, descobrimos que o festival tem amigos, é quase uma família. E quero agradecer a solidariedade de todos os que nos ajudam a fazer mais uma edição, pois sem a boa vontade e voluntariado deles, tudo ficaria muito mais complicado.

Bem, vamos ao que interessa: cinema!

Como membro do MST (O Movimento dos Sem TELA ), este festival adoraria exibir Tuuuuuuuudo que recebe, afinal, uma das atribuições de um festival é dar tela a quem não tem ! Por conta disso, nossa comissão de seleção penou!

Estes bravos amigos tiveram que reduzir 680 filmes (em torno disso) para cerca de 250 filmes (já incluindo as mostras paralelas).

Dá gosto de ver o ritmo de produção da galera. Na categoria curta-ficção os brasileiros chegam todos os anos como uma avalanche: 238 inscritos (incluindo co-produções), em segundo lugar a Espanha com 77 produções, Argentina com 26 e a presença modesta do Chile, Colômbia, Venezuela, Costa Rica, Equador, Peru e Uruguai.

Quanto aos curta-documentários, o Brasil liderou com 125 filmes, seguido da Espanha com 25.

Desde que comecei a fazer este trabalho “enlouquecedor” de cadastramento, tenho reparado o seguinte: as questões relacionadas à América Latina despertam o interesse de quem você menos espera. Na montanha de dvds com a qual sempre me deparo no início do ano surge uma produção alemã, inglesa. Particularmente, acho isso curioso.

Bem, no próximo post vocês vão descobrir que a rivalidade Brasil X Argentina é só no futebol !