24 de junho de 2012

DIRETORES ESTREANTES COLHENDO BONS FRUTOS

Um dos privilégios de participar da produção de um festival de cinema é poder conhecer de perto diretores e seus respectivos filmes, que infelizmente nem sempre entram no circuito comercial. Apesar do problema crônico da falta de salas para os filmes independentes, todos os realizadores tem uma coisa em comum: a
paixão pelo o que fazem. E neste último sábado, dia 23.06, tive muita satisfação de conversar com dois diretores estreantes, que fizeram dessa paixão a sua profissão: o pernambucano João Inácio e o cearense Marcelo Dídimo.
João começa a entrevista com a seguinte citação do poeta chileno Pablo Neruda:

Docum_Truks_Divulga_JI_bx"Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver.  O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele e que lhe fará  muita falta." E conclui este pensamento dizendo-me que estamos ficando brutos com tanta tecnologia a nossa volta.                       

Natural de Bonito, no interior de Pernambuco, João Inácio se formou em comunicação, trabalhou muitos anos na iniciativa privada e na TV Brasília,
uma das afiliadas da extinta TV Manchete, onde fazia um programa de produção independente. Segundo ele, desde essa época, passou a tomar gosto pelo documentário.
"Truks" é seu primeiro longa, que traz uma reflexão sobre o poder de encantar uma platéia através da magia dos bonecos. O filme está na mostra temática Palcos e Telas do Cinesul e já está rendendo bons frutos, pois participará do 7º MUBE - Vitrine Independente e do 3º Curta Amazônia, na mostra competitiva.
A semente do documentário "Truks" começou a ser germinada em 2010, quando organizou um workshop de técnicas de animação em Brasília. Na preparação do curso, ele buscava profissionais que pudessem ajudá-lo e encontrou a Cia Truks de Teatro de Animação.
Docum_Truks_Divulga5_bx João já sabia da notoriedade do grupo, mas ao trabalhar com eles neste workshop, ele percebeu que não podia deixar escapar a oportunidade de fazer um documentário e a sua paixão pelas histórias infantis e pelos bonecos tornou tudo ainda mais prazeroso.


Além disso, João revela em primeira mão, que o documentário poderá fazer parte do acervo do Museu de Bonecos (Center of Puppetry Arts) em Atlanta nos Estados Unidos. O dvd do filme traz audiodescrição e linguagem em libras.
Confira o trailer desta produção encantadora e torça para que os nossos bonecos brazucas fiquem ao lado dos Muppets!
http://vimeo.com/37604575

Sem pausa para um café... a seguir: um curta sobre jumentos

Jumento é uma palavra que em determinadas situações ganha conotações depreciativas, mas o cineasta cearense Marcelo Dídimo resolveu fazer jus aos jumentos com o seu curta "Jus"! 
O filme apresenta uma narativa dinâmica onde um personagem que tem um jumento "dialoga" com os entrevistados. Uma mistura de ficção e documentário, que até traz cenas engraçadas, mas resgata principalmente a importância sócio-econômica deste animal, que é um dos símbolos do nordeste.
Marcelo é formado em Ciência da Computação e fez mestrado em cinema com uma tese sobre cangaço. É doutor em cinema pela Unicamp e ministra aulas de roteiro e cinema brasileiro na Universidade Federal do Ceará. Segundo ele, depois de tanta teoria, era chegada a hora de partir para a prática.
Neste processo, uma coisa que sempre incomodou muito este diretor estreante era ouvir que documentário não tem roteiro. Marcelo fez uma pesquisa exaustiva sobre jumentos e encontrou um acervo imenso, por mais incrível que possa parecer. Mesmo assim, vender a idéia do projeto foi muito difícil, pois os possíveis investidores acharam o tema sem atrativos e risível!
Contemplado com o edital da secretaria estadual de cultura do Ceará., Marcelo reuniu seus alunos e os profissionais do mercado e realizaram a produção, que foi premiada como melhor filme no último Cine Ceará na categoria de filmes cearenses. " Jus" também participou do FAM ( Festival Audiovisual Mercosul) e na competitiva de curtas e médias do Cinesul.
Marcelo fala da importância de ser selecionado por um festival, que não é só o lado da satisfação pessoal, há também a intensa troca com os profissionais do mercado e o prestígio para a universidade, já que a equipe de produção é composta por alunos.
Sobre o mercado audiiovisual cearense, ele diz que foram criados dois centros de capacitação profissional nesta área: a Vila das Artes e a Casa Amarela, mas seu estado natal ainda está longe em relação a produção de Pernambuco e Bahia. Contudo, nestes dois últimos anos, cerca de 10 filmes estão sendo finalizados. 
Depois de "Jus", Marcelo quer experimentar dirigir um curta de ficção. Vamos aguardar!

E nesta quarta, dia 27, às 19:00, no Cinema do Centro Cultural Correios,  não percam a estreia de "O Carteiro". Um filme dirigido por Reginaldo Farias na mostra Romance Latino.




20 de junho de 2012

UM FESTIVAL QUE PREZA OS ESTREANTES

Domingo, dia 17.06, tive a oportunidade de conversar com dois jovens realizadores: o argentino Emiliano Romero do filme "Topos" e  o equatoriano Tomas Asturdillo, do curta " Oceano Sólido".
Emiliano é natural de Buenos Aires, vem de uma família de atores de teatro e traz em seu currículo 35 curtas-metragens de diferentes gêneros.
Assim como a maioria dos profissionais da indústria cinematográfica, ele exerce uma outra função: a de professor de interpretação de atores para cinema. São nestas aulas que os curtas são realizados.
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Durantes as filmagens de Topos/Divulgação
Pergunto à ele o que o levou a fazer " Topos", seu primeiro longa. " Gosto de fazer histórias, que me levem à outros mundos"- responde entusiasmado. A incursão por estes mundos desconhecidos tem a influência de "Delicatessen", seu filme predileto e de alguns diretores como: Terry Gilliam ( Brazil, o filme e os 12 Macacos)  e Michel Gondry ( Brilho eterno de uma mente sem lembrança). Com relação aos diretores latinos, ele destaca " Ensaio sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles e Leonardo Fávio, seu diretor argentino preferido, que foi homenageado pelo Cinesul em 2007.  Segundo ele, a boa aceitação de "Topos" deve-se ao tempero e a visão  latina que ele acrescentou às suas influências, tanto é que ficou impressionado na sessão do dia 15 quando viu o público carioca às gargalhadas durante a exibição, apesar do filme não ser uma comédia.
Para um inciante de longa-metragem, Emiliano começou com o pé direito! Topos recebeu  o prêmio de melhor filme no Fantaspoa, o Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre e em agosto o filme seguirá para o Festival de Nova York.
Em setembro o filme estreia nos cinemas de Buenos Aires e também em 50 centros culturais espalhados por todo país. A ideia de usar os centros culturais como espaço de exibição surgiu durante uma conversa com um dos atores do filme. Segundo ele, estes centros culturais não tem tradição de exibir filmes e "Topos" abrirá um nicho para a exibição, um dos grandes gargalos do cinema independente.
Durante nossa conversa, Eniliano me explica como funciona o sistema de fomento para a produção de filmes na Argentina. Nosso hermano portenho não tem editais de empresas públicas e/ou privadas como aqui no Brasil. O INCAA. Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales, recolhe 10% da bilheteria de qualquer filme em exibição em solo argentino e a partir daí financia os filmes. 
Emiliano já teve dois curtas exibidos no Cinesul no início dos anos 2000 e conclui: " A cidade do Rio é perfeita para um artista!" 
O Equador também faz filme


Tomás Asturdillo no CCC
Ele é natural do Equador, tem 27 anos  e dirigiu seu primeiro curta-metragem, seu nome é Tomas Asturdillo.
Sua área de atuação é a fotografia e a assistência de câmera. Contudo, a idéia de realizar "Océano Sólido"  o fez vencer um grande obstáculo: deixar a parte técnica de lado e lidar com o humano, a direção. Este desafio se tornou maior a partir do momento que o tempo de filmagem era limitado.
" Océano Sólido" é o registro da rotina dos marinheiros que sairam de
Rotterdam rumo ao Equador., filmado com recursos próprios e com o apoio de algumas empresas. Com relação a participação de festivais, o Cinesul é seu primeiro festival internacional.
Segundo ele, seu país teve uma revolução na indústria audiovisual. Há 10 anos, o Equador produzia de 2 a 3 longas por anos e hoje já são 10, mas infelizmente não há programas de formação de público para o cinema equatoriano.
Contudo, o simpático diretor está em clima de festa! Em julho seu filme vai participar de um festival de diretores jovens em Portugal.






18 de junho de 2012

AMANHÃ ESTREIA HABANASTATION

Um longa de ficção cubano que traz a história de dois meninos de classes sociais diferentes, que convivem na mesma escola e a partir da brincadeira com um aparelho de videogame confrontam seus sonhos e realidades. A direção é assinada por Ian Padrón que desde muito jovem trabalha no ICAIC, o instituto de cinema cubano. A exibição será terça às 18:00 no Cinema 2 do CCBB-RJ
Não percam também a estreia das mostras paralelas Palcos e Telas e Bossas Musicais!
Fique de olho na nossa programação:

Programação de Ter 19

CCBB Cinema 2
14h- PT • A política do cinema • 88 min.
16h - LF • La hora cero • 100 min.
18h- LF • Habanastation • 95 min.
20h - LF • Cru • 73 min.

Correios Vídeo
15h - BM • Sabiá • Contra corrente • 94 min.
17h - LF • Mapa para conversar • 81 min.
19h – LD / Carta para o futuro • 88 min.

16 de junho de 2012

HOJE É DIA DE CINESUL CRIANÇA E DOCUMENTÁRIOS ESPANHÓIS

A galerinha que curte cinema vai se divertir bastante com a programação do Cinesul Criança hoje a partir das 14:00 no Cinema 1 do CCBB-RJ. Uma programação imperdível pra toda família com animações e curtas brasileiros. Nesta mostra de filmes, um dos destaques é " Lápis de Cor" , da diretora estreante Alice Gomes, que traz a história de Claudio. Um menino pobre que adora desenhar e ao comprar lápis de cor mágicos, sua vida se transforma.
Tem também "Imagine uma menina com os cabelos do Brasil" realizada pelo experiente Alexandre Bersot.

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Divulgação
Esta animação, que fala das diferenças e contrastes entre os povos, já percorreu inúmeros festivais do Brasil e América Latina e foi premiada como melhor curta de animação brasileiro pelo júri popular no Festival Anima Mundi SP. Então, é comprar a pipoca e curtir!
Os outros destaques da programação são os longas documentários espanhóis "La Plaza" e " Los Ojos de la guerra".
" La Plaza" é dirigido pelo jornalista Adriano Morán, que se especializou em videos online. O documentário traz o registro impressionante de um grupo de jornalistas que se revezou dia e noite fotografando, entrevistando a multidão que fez uma revolução histórica na praça Portas do Sol em Madrid nos meses de maio e junho de 2011.
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Adriano Morán/Divulgação:  blog do jornalista
"La Plaza" participou em 5 categorias do prêmio Goya. Assista ao trailer.
http://233grados.lainformacion.com/.a/6a00e552985c0d8833016766a56fc0970b-popup

_MG_3342.JPGA partir das 18:00, o Cinema 2 do CCBB-RJ apresenta " Los ojos  de la Guerra", dirigido por Roberto Lozano Bruna, um diretor que desde 1999 atua na área de documentários, seja como realizador e/ou produtor e traz em seu currículo mais de 10 produções.

" Los ojos de la guerra" traz a visão dos correspondentes de guerra sobre a violação dos direitos humanos e da vida. Um registro impactante que transcende a tal " imparcialidade" do jornalismo.
Vale a pena conferir o trailler: http://youtu.be/kGbvElDTh7k
E amanhã estréia o filme português " A vingança de uma mulher". Abraços e até lá!

15 de junho de 2012

TEM SILVIO TENDLER E CINEMA FANTÁSTICO ARGENTINO

Nesta sexta, dia 15, no cinema 2 do CCBB, a Mostra Cinesul Ambiental apresenta o média-metragem " O veneno está na mesa", de Silvio Tendler. Conhecido por seus filmes que retratam os períodos marcantes da história brasileira, como "Os Anos JK", neste documentário, Silvio aborda o uso dos agrotóxicos nas plantações e o quanto isso afeta a saúde dos brasileiros. Numa época em que se fala muito e pouco se investe em agricultura familiar e alimentos orgânicos, é uma produção para assistir e refletir.
Às 20:00, estreia o filme "Topos", com a presença do diretor argentino Emiliano Romero. Uma produção de cinema fantástico, que traz algumas alegorias sobre as relações de poder na escola, na família.
Não deixem de conferir a mostra Videosul, que traz 5 filmes brasileiros de curta-metragem.

14 de junho de 2012

CARTA DE UM DIRETOR

Como uma das produtoras do Festivel Cinesul, sempre dá aquela pontinha de tristeza de não ter a oportunidade de promover um grande encontro com muitos realizadores que participam do evento, alguns deles já se tornaram figurinhas conhecidas.
Hoje, um dos diretores pediu que lessem para o público a carta que ele enviou se desculpando pela ausência. Infelizmente, só li esta mensagem, depois que o filme tinha sido exibido.
Pra atenuar a situação, abaixo eu posto a carta carinhosa de um dos nossos participantes, Carlos Segundo.


Carta à organização e ao público
Seguindo os passos de Drummond, seguimos. De Itabira ao Rio de Janeiro. E hoje, dia 14/ 06/ 2012, em sua segunda sessão pública, o filme ‘‘No fundo nem tudo é memória’’ preenche a tela da sala escura do CCBB, dentro do festival Cinesul, no coração da cidade maravilhosa.
O momento não poderia ser mais propício, sua exibição acontece em meio ao calor da discussão sobre sustentabilidade e meio ambiente, em meio à Rio + 20. Mas não se assustem. Esse não é um filme com imagens impactantes  e  viscerais.  Esse  documentário  não  é  denunciativo  ou
declaradamente ativista.
Ele vem falar de algo menos urgencial e palpável, mas não menos importante.  Ele  fala  de  vida  ao  percorrer  a  memória.  Memórias  que constantemente se renovam e que por vezes se misturam. Memórias que foram submersas pela água e pelo tempo. Um filme que fala antes de tudo de reinvenções e de encontro. Encontro entre a câmera, os personagens, a lamparina e o público.
Peço  desculpa  a  todos  pela  minha  ausência  e  espero  que  esse pequeno texto cubra pelo menos um pouco da minha tristeza de não estar presente na sessão. Amaior virtude do cinema também é, em certa medida, seu ponto fraco, a criatura e sua total  independência em relação ao criador.
Obrigado a toda equipe
que me ajudou na conclusão desse trabalho
Obrigado a organização do festival Cinesul
E muito obrigado a cada um, que agora se ajeita
nas cadeiras vermelhas do CCBB.
Tenham todos uma ótima sessão.
Carlos Segundo

CURTAS QUE DEBATEM AS DIFERENÇAS E A EXIBIÇÃO DO 1º LONGA DE FICÇÃO BRASILEIRO

Atenção, galera!!!
Hoje, quinta-feira, dia 14, às 20:00 tem a estréia do filme "Cru" no festival, do diretor Jimi Figueiredo.
De acordo com a biofilmografia fornecida, este é o primeiro longa do Jimi e ele começou bem, pois no ano passado o filme foi exibido em alguns festivais importantes como o FestRio e o Festival de Brasília.
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Filme "Cru"/ Divulgação
Em clima de Rio + 20, os destaques são a produção paulista " No fundo nem tudo é memória", que traz o dilema de um homem que tem sua cidade submersa por uma hidroelétrica  e o longa boliviano Tierra sin mal, que fala do que por trás do Mal de Chagas, que abate a população indígena naquele país.
Os programas das mostra Videosul, de curtas e médias, trazem três produções que abordam, em esferas diferentes, como as pessoas  convivem com as diferenças, são elas: "Diálogos"," L " e "El rey del pueblo". Este último retrata a religiosidade de um povoado cubano. Clique no link e assista ao curta feito por brasileiras na EICTV.
http://youtu.be/O4qkOhvTMYg

E pra quem curte documentários sobre música, estréia a mostra temática Bossas Musicais com o longa "Jaime Urrutia, la fuerza del costumbre", do diretor espanhol Carlos Duarte Quin. 
Por enquanto é pessoal! Divulgue, compartilhe o que há de melhor do cinema da América Latina e da Penísula Ibérica.