9 de junho de 2013

OS DESTAQUES DA MOSTRA ARTE CINESUL




Neste domingo, a mostra temática Arte Cinesul traz " Retângulos Brancos" dos diretores Giu Jorge e Pedro Curi sobre a experiência de cinema inclusivo em diversas cidades pequenas do Rio como Arraial do Cabo e Aperibé. A carreira de Giu Jorge passa por diversos documentários e programas educativos, "Retângulos Brancos" participou em 2012 de vários festivais, entre eles o Curta-SE em Sergipe e o Araribóia Cine, na cidade de Niterói no Rio de Janeiro.

Crianças - sessão Cinema de Graça em Arraial do Cabo.jpg



Um exemplo de paixão e fé 

" Não importa o caminho, não precisa de dinheiro, vocês vão permanecer nesta casa" , disse o pai de santo de Barbot, um dos protagonistas do filme "Esse amor que nos consome".
Ao se instalar num casarão abandonado no centro do Rio com o seu companheiro, Barbot não perde a fé nas palavras do seu mentor espiritual e muito menos no seu orixá, Iansã. Entre os ensaios da sua companhia de dança afro e as visitas de corretores de imóveis, o processo de criação desta dupla segue seu rumo entremeado com belas cenas de danças e diálogos que mostram o quanto é difícil marcar seu território.
Este é o primeiro longa de Allan Ribeiro. O filme já participou do 45º Festival de Brasília.
Assistam ao trailler.










ÚLTIMO DIA DA COMPETITIVA DE LONGAS

Hoje termina a competitiva de longas-metragens de ficção e documentário.
A partir das 13:30, a reapresentação de "Gimme the Power"( México), "Moreno"(Argentina), "Mataram meu irmão (Brasil), " La llamada" ( Equador).

Este último, um longa de ficção equatoriano escrito e digido por David Nieto Wenzell, traz a realidade das mulheres da sociedade atual, que tentam equilibrar o trabalho e os filhos sem deixar muitos estragos em suas próprias vidas. "La llamada" é o primeiro longa de David Wenzell e foi uma co-produção com a Argentimna e a Alemanha. O filme também foi exibido no Festival de Chicago, nos Estados Unidos.

A produção equatoriana pode ser tímida, mas tem marcado presença constante no Cinesul há algumas edições. Em 2007, o público do festival elegeu como melhor filme " Que tan lejos", da diretora Tania Hermida. Ora participando com curtas, ora com longas, o Equador vai construindo sua maneira própria de fazer cinema e se revelando ao público carioca. Assista ao trailler de "La llamada"


E a animação continua

Para quem perdeu os desenhos animados ontem, o Festival Cinesul dá um repeteco pra garotada que ficou de fora. A partir das 14:00, o carangueijo Caranga puxa a fila dos curtas que serão exibidos. Não percam a história de um saci que não é aceito no paraíso das lendas e dos mitos e a história do "Casamento da ararinha-azul", uma bela animação mineira.



8 de junho de 2013

ELISEO SUBIELA SE REÚNE COM ESTUDANTES DE CINEMA DA UFF

A 20ª edição do Festival Cinesul homenageia o diretor argentino Eliseo Subiela. A mostra exibe seis longas-metragens de ficção, um panorama da sua filmografia, que na década de 1980 ganhou um grande destaque na indústria audiovisual argentina com os filmes "Hombre mirando al sudeste", "El lado oscuro del corazón" y " Últimas imagens", aclamados pela crítica.

Nesta última quinta-feira, dia 6, Eliseo Subiela foi à Niterói para um encontro com os estudantes do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF), no casarão do IACS (Instituto de Arte e Comunicação Social). Simpático e atencioso, o realizador argentino respondeu várias perguntas sobre o seu processo criativo, a sua obra, a relação com os alunos da escola de cinema que mantem em Buenos Aires e a sua opinião sobre o cinema argentino contemporâneo.

FOTO BIO.jpg Para Eliseo uma das grandes conquistas do cinema foi a passagem da película para o digital, que proporcionou não só um aumento na produção de filmes como também a redução dos custos de produção e completa dizendo que aprendeu com os seus alunos a como realizar um longa-metragem com pouquíssimos recursos. Afirma que a transição da película para o digital foi um processo sem problemas, para ele, apesar da incógnita do digital em termos de preservação. A primeira vez que utilizou a tecnologia digital foi na realização de "Las Aventuras de Diós" (2000). Bem-humorado, Eliseo afirma que ele e o cineasta mexicano Arturo Ripstein disputam a primazia de quem dirigiu o primeiro longa-metragem no suporte digital que circulou em grandes festivais.

Apesar desta facilidade, ele ressalta que o problema continua na questão da exibição e distribuição. Diz que em seu país, os filmes brasileiros quase não são vistos, o último que assitiu foi "Tropa de Elite" destacando a falta de integração dos circuitos de cinema dos países latinos. "É preciso criar circuitos alternativos", afirma. Essa é uma tarefa que cabe a todos nós, principalmente aos jovens, se dirigindo aos alunos de cinema. A solução encontrada por ele para conhecer os novos lançamentos brasileiros é encher a mala de DVDs quando vem ao país.

Na opinião do diretor, no mundo do cinema as coisas mais importantes são: conseguir realizar um projeto e saber trabalhar em conjunto, ouvir a equipe. Um filme de êxito é aquele que é realizado e não enterrado em gavetas. O fato de conseguir realizar um filme já é um sucesso. A relação com o público e a crítica é outra coisa.

Por isso, relatou a experiência de seu primeiro longa-metragem, "La Conquista del Paraíso" (1980), uma raridade, rodado na fronteira com o Brasil, na região argentina de Misiones. Comentou que no final da filmagem teve que rasgar páginas inteiras do roteiro, o que há de mais frustante para um realizador. Com atuação de Kátia D'Angelo e Jofre Soares e música de Milton Nascimento, Eliseo comentou a importância e o fascínio que a cultura brasileira sempre lhe exerceu. Relatou que viajava com maior frequência ao Brasil, devido ao seu trabalho no ramo da publicidade, segundo ele, a principal escola de cinema da sua geração.

Com relação ao cinema de hoje, incluindo o do seu país, Eliseo sente falta de ousadia estética e narrativa, uma vez que os cineastas contemporâneos optam por um cinema mais contemplativo, para o agrado de um punhado de críticos. Na sua opinião, o meio teatral argentino, pelo qual já fez algumas incurssões, demonstrou ser mais ousado diante da atual crise. Segundo Eliseo, fazer cinema é algo simples, mas por isso mesmo muito complicado: narrar uma história. As pessoas vêem um filme porque querem que lhes contem uma história. E por mais que critiquemos o colonialismo cultural das plateias latino-americanas, os cineastas norte-americanos primam muito por isso. Para Eliseo, o debate sobre a aversão das nossas plateias ao cinema latino-americano precisa ser feita com autocrítica e não culpabilizando somente o colonialismo cultural. Precisamos profundamente entender porque as pessoas não querem ver os nossos filmes.

Eliseo crê que a onda do "nuevo cine argentino" é uma moda que está saindo de cena e que as pessoas têm uma visão idealizada da produção cinematográfica de seu país. Em sua escola de cinema em Buenos Aires, há alunos de toda a América Latina, inclusive brasileiros. Defende que a Argentina atrai jovens do continente, apesar da crise, por sua tradição cultural, o que inclui o cinema. Além da cultura, Eliseo frisou a tradição técnica dos profissionais argentinos, uma vez que seu país teve uma forte indústria de cinema no passado. Para ele, o saber técnico é fundamental e por isso intitulou a instituição de ensino audiovisual que criou em 1994 de Escola Profissional de Cinema. 


Seu último longa "Paisajes Devorados" conta com a participação no elenco do aclamado diretor argentino Fernando Birri, figura-chave do "Nuevo Cine Latinoamericano" e fundador da Escola Documental de Santa Fé e da Escola de Cinema de San Antonio de los Baños, em Cuba. Produzido com baixo orçamento e rodado com uma câmera de foto 5D, o filme fecha a mostra amanhã no cinema 2 do CCBB às 17:30 e após a exibição do filme, o público poderá conversar com o diretor. 

ROQUEIROS QUEREM O PODER

"Gimme the Power", estreia hoje às 15:00 na programação do Cinesul. Escrito e dirigido por Ollalo Rubio, o documentário mexicano conta a história da banda Molotov que em bom "espanglês" critica a situação político-econômica local . 
Este é o seu terceiro filme do diretor, que começou sua carreira como locutor de rádio. Nos anos em que esteve à frente do microfone, Ollalo lutou pela liberdade de imprensa e mudanças sociais em seu país. Em 2007 estreou no cinema dirigindo  "So, What's Your Price?", que foi exibido no Central Park, no Festival Latino Americano de São Francisco, Festival de Havana e no de Guadalajara, nada mal para um estreante, não?

Em "Gimme the Power", o rock da banda Molotov costura a história rechada de entrevistas dinâmicas e com muito material de arquivo sem torná-lo didático. 
Críticas sobre o filme acesse aqui  
Confira o trailer!









ANIMAÇÕES BRASILEIRAS ABREM A PROGRAMAÇÃO DO FIM DE SEMANA

O Festival Cinesul apresenta neste fim de semana, a partir das duas da tarde no cinema 1 do CCBB,  o primeiro programa com animações inéditas.
A mostra começa com o simpático carangueijo Caranga, personagem título de uma série de temática ambiental. O outro grande destaque é o Casamento da Ararinha-Azul, de Marcelo Branco, um animador mineiro dono da produtora F7 filmes e presidente da Associação Animare. Sua produtora ministra oficina de animação desde 2002 com jovens e crianças, que gerou acervo de 160 curtas!
A Argentina tem também o seu representante: é o curta Shave it, em que um macaco encontra um aparelho de barbear e após usá-lo se dirige para a cidade para conviver com os homens. Vale a pena conferir como será o final desta história!

7 de junho de 2013

BRASIL, MÉXICO E PORTUGAL FAZEM UM MIX DE COMÉDIA E DRAMA

" Coleção Invisível " abre o quarto dia do festival. O longa é escrito e dirigido por Bernard Attal, um francês que mora no Brasil desde 2005. Attal começou como curta-metragista e ganhou prêmios em festivais ao redor do mundo. " Coleção Invisível" é o seu primeiro longa-metragem e contou com um elenco de primeira.

Baseado num conto de Stefen Zweig, falecido escritor austríaco, que adotou o Brasil na década de 40, o filme conta a história do jovem Beto, que após a perda dos amigos num trágico acidente, decide dar um novo rumo à sua vida se envolvendo nos negócios da família. Interpretado por Vladmir Britcha, o aspirante a dono de antiquário faz uma viagem ao interior da Bahia, onde conhecerá a família de Samir, interpretado por Walmor Chagas, um fazendeiro amante da arte. Uma trama que contrapõe duas famílias arruinadas e que se unem em torno de um segredo.                           

Bernard Attal levou seis anos para realizar este projeto, que segundo ele, seria o tempo suficiente para aprimorar o olhar sobre as mentiras que contamos e nos sacrfícios que fazemos para dizer a verdade. Em suas palavras " a mentira é um terreno rugoso pelo qual se alcança o homem". O filme participou do Festival do Rio de 2012 e venceu o prêmio de melhor filme no Festival Itinerante de Lígua Portuguesa. O longa foi o último trabalho do ator Walmor Chagas.


Uma Zebra vai parar na revolução mexicana

“Nunca tinha visto um filme em que os heróis não fossem Zapata e Pancho Villa, eu queria que os heróis fossem simples camponeses que não sabem  a qual exército se unir e decidi colocar uma zebra na trama, porque é necessário desmistificar a história que costumam a nos ensinar" disse o realizador e roteirista Fernando Javier León à imprensa mexicana. Segundo o diretor, sua intenção foi fazer uma sátira mostrando como o poder transforma os homens e que mesmo com o passar dos anos pouca coisa muda.





Poesia portuguesa

Florbela, do diretor Vicente Alves do Ó, traz um retrato bem íntimo de Florbela Espanca, uma mulher a frente de seu tempo que viveu de forma intensa. Este é o segundo longa do diretor, que também assina o roteiro. O filme foi um sucesso de bilheteria na Europa e levou o prêmio Goya de melhor filme Ibero-Americano.


Segundo a crítica portuguesa, Vicente é um dos diretores mais promissores da nova geração e não se intimida com as críticas que recebeu. Na premiere filme disse: "Uns querem Cannes, eu quero salas cheias e o povo a comer pipocas" e curtiu o comentário de um espectador que não gostou do filme porque a personagem título lembrava a sua mulher, afirmou. Para saber mais sobre o processo de criação do longa, leiam a entrevista completa aqui

E amanhã, dia 08, começa o Cinesul Criança com animações brasileiras INÉDITAS que trazem personagens bem divertidos. Até lá!

6 de junho de 2013

Pequenas cinematografias marcando território



Em meio a tantas produções brasileiras, espanholas e argentinas, alguns países latino-americanos vem marcando presença de maneira constante no Festival Cinesul, é o caso do México, Venezuela,  e Colômbia,
graças aos institutos de cinema como IMCINE e CCC do México, o CNAC da Venezuela e a Cinemateca Distrital da Colômbia, que fomentam a produção local.

De acordo com a organização do festival, o número de inscritos destes países para participar do processo de seleção tem crescido. Dos 900 inscritos que tivemos, 109 serão exibidos até o dia 16 de junho, destes 12 são mexicanos, 3 venezuelanos e 2 colombianos.

Na programação desta quinta-feira, dia 6/06, os destaques ficam por conta de dois filmes venezuelanos: "Brecha en el Silencio" e " El chico que miente".
"Brecha en el silencio",  começou com uma carreira vitoriosa em seu país levando seis prêmios nos festivais locais. É o primeiro filme dos irmãos Luis y Andrés Rodríguez, que revela como deve ser o mundo de uma jovem surda e para isso, a trilha sonora do filme ganhou um grande destaque pelas mãos de Eleazar Moreno.

O outro filme é " El chico que miente", escrito e dirigido por Marité Ugas, que apresenta um road movie narrando as experiências de um menino, que reinventa a sua trágica história. Dona da Sudaca Films, Marité vem conquistando prêmios em diversos festivais pelo mundo desde o o seu primeiro longa-metragem " La Meia Noche y Media", co-dirigido por Mariana Rondón, que também já marcou presença em algumas edições do Cinesul. Confira o trailer.



Nesta quinta também começa a Mostra Temática Arte Cinesul na Cinemateca do MAM a partir da 18:30.
Pra fazer coro com a turma que faz o seu filme no peito e na raça e sai com ele por aí debaixo do braço, o festival exibe T.A.I - trabalho autoral independente em que três diretores paranaenses desvenda como outros realizadores brasileiros fazem filmes de terror e policial de baixo orçamento.